Só há duas fontes de conhecimento: a intuição e o testemunho. Intuição não é "apreensão pelo subconsciente", "penetração no interior das coisas", "sentimento de identificação", nem nenhuma dessas patacoadas. É PERCEPÇÃO IMEDIATA DE UMA PRESENÇA. Um raciocínio ou demonstração lógica não passa de um encadeamento de percepções intuitivas da identidade ou diferença entre proposições (presentes à consciência). Tudo o que não é conhecimento intuitivo é confiança num testemunho. Não há uma terceira maneira de conhecer. Isso NÃO É diferente na religião e na ciência.
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
sábado, 19 de novembro de 2016
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
O Despertar
Preparem-se. Nos próximos anos a desordem do mundo atingirá o patamar da alucinação permanente e por toda parte a mentira e a insanidade reinarão sem freios. Não digo isso em função de nenhuma profecia, mas porque estudei os planos dos três impérios globais e sei que nenhum deles tem o mais mínimo respeito pela estrutura da realidade. Cada um está possuído pelo que Eric Voegelin chamava "fé metastática", a crença louca numa súbita transformação salvadora que libertará a humanidade de tudo o que constitui a lógica mesma da condição terrestre. Na guerra ou na paz, disputando até à morte ou conciliando-se num acordo macabro, cada um prometerá o impossível e estreitará cada vez mais a margem do possível. A Igreja Católica é a única força que poderia, no meio disso, restaurar o mínimo de equilíbrio e sanidade, mas, conduzida por prelados insanos, vendidos e traidores, parece mais empenhada em render-se ao espírito do caos e fazer boa figura ante os timoneiros do desastre. No entanto, no fundo da confusão muitas almas serão miraculosamente despertadas para a visão da ordem profunda e abrangente que continua reinando, ignorada do mundo. Muitas consciências despertarão para o fato de que o cenário histórico não tem em si seu próprio princípio ordenador e só faz sentido quando visto na escala da infinitude, do céu e do inferno. Essas criaturas sentirão nascer dentro de si a força ignorada de uma fé sobre-humana e nada as atemorizará.
sábado, 12 de novembro de 2016
Nós não temos nenhum acesso ao Ser
Vamos considerar uma frase de Michel de
Montaigne: “Nós não temos nenhum acesso ao Ser.” Ele pode criar um discurso
lógico para demonstrar isso. Este discurso lógico será coerente em si mesmo,
mas pergunto eu: em que universo está colocado este discurso? Em que universo
Michel de Montaigne disse isso? Ele imagina que disse isso em um universo
separado que é sua própria mente. Ele está dizendo: a minha mente tem uma
totalidade, uma unidade, e dentro dela eu chego a uma conclusão de que não
tenho acesso ao Ser. Portanto, este discurso se desenrola em um mundo separado
que não é o mundo do Ser. Mas se é assim, como é que conseguimos ler este
discurso? Se você não tem acesso ao Ser, como é que eu tenho acesso ao seu
texto? O fato de que eu, transcorridos quatro séculos da morte de Michel de
Montaigne, possa ir a uma livraria comprar uma edição do livro dele, isso se
desenrola no mundo mental de Michel de Montaigne? Não é possível. Então, o
conteúdo da afirmação “nós não temos acesso ao Ser”, desmente a unidade do real
porque está pressupondo um mundo mental separado. O fato de que nós consigamos
criar um discurso e prestar atenção somente nele, fazendo abstração de tudo o
mais, é algo que evidentemente nos engana, pois não é por você prestar atenção
só em uma coisa que todas as outras desaparecem. Por exemplo: para que Michel
de Montaigne tivesse dito isto foi preciso que ele tivesse nascido algum dia, e
para isso papai e mamãe Montaigne tiveram de praticar certos atos libidinosos
que não fazem parte de maneira alguma do mundo mental de Michel de Montaigne, o
qual naquele momento ainda não existia. Se eu sei que nasci, como posso dizer
que não tenho nenhum acesso ao Ser?
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
A fragilidade de uma sociedade baseada na moralidade científica
No mês de outubro comemoraram-se os sessenta
anos da publicação do célebre ensaio "The Two Cultures", em que o
cientista e romancista C. P. Snow defendia a tese de que a ciência deveria
sobrepor-se às letras e à filosofia (para nem falar da religião) no guiamento
moral da humanidade. Na estréia do livro o crítico Frank Raymond (F. R.) Leavis
escreveu um panfleto em que xingava Snow de tudo quanto era nome. Pegou mal.
Foi um escândalo, e só contribuiu para consolidar a reputação de Leavis como um
touro na loja de louças. Mas hoje sabemos que a idéia de Snow, aplicada
universalmente, rebaixou a moralidade pública ao nível da barbárie e contribuiu
decisivamente para a deterioração moral da própria ciência, hoje um campo em
que a fraude reina soberana. Donde concluo que Leavis xingou pouco.
Estive
lendo esses dias o escrito do crítico inglês Frank Raymond Leavis que ele
escreveu em resposta ao livro do Snow, As duas culturas. Ele fala tantas coisas
horríveis do Snow, que até hoje ninguém gosta de falar desse livro ― “Não, isto
é um negócio muito mal educado, não podia ser assim...” Olha, eu acho que foi
inteiramente merecido. Por exemplo, o Snow diz o seguinte: “vocês reclamam
quando uma pessoa não é capaz de ler Dickens, mas vocês não reclamam quando
alguém não sabe a segunda lei da termodinâmica”. Eu nunca conheci em meios
literários de alto nível, nem filosóficos, nem humanísticos etc. uma única
pessoa que não conhecesse a segunda lei da termodinâmica e não fosse capaz de
explicá-la. O simples fato de que a palavra entropia seja uma das mais usadas
nessas discussões já prova que a segunda lei da termodinâmica para eles é arroz
com feijão. No entanto, está provado estatisticamente que a quase totalidade
das pessoas que se formam em ciências não são capazes de ler Dickens. Eu tenho
uma tremenda dificuldade para ler Dickens. Esses dias eu estava desesperado,
porque ao lê-lo, a cada linha aparece uma palavra que eu não conheço ― e olha
que leio livros em inglês desde os 15 anos de idade. Dickens é como se fosse um
Aquilino Ribeiro, o vocabulário dele é uma monstruosidade. Então, estou lá eu
lendo com o dicionário, todo complexado, e daí vejo lá o próprio Snow
confessando que um doutor Ph.D em física não é capaz de ler Dickens. Eu lhe
digo, ora meu filho, o pessoal dos estudos humanísticos está muito mais
informado a respeito de ciência do que vocês estão informados a respeito do
resto, porque ciência não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. Ciência não é alta
cultura, jamais; nenhuma ciência é altacultura. Tanto que você pode chegar a
dominar uma ciência inteira sem ter praticamente cultura nenhuma. Se, por
exemplo, você quer entender a relatividade especial ― a relatividade geral é
mais complicada ―, você precisa apenas de álgebra do ginásio, não é um grande
problema. Há outras coisas que para serem entendidas precisam de uma matemática
mais complicada, mas aí você não precisa entender pessoalmente, pode pedir a um
amigo que lhe explique. Eu tenho muitos amigos físicos e engenheiros, e
pergunto para eles. Não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. Mas e ler Dickens? Ah,
ler Dickens é um bicho-de-sete-cabeças, sim, porque ele escreveu vinte romances
e para cada um deles você tem de consultar um dicionário pelo menos quinhentas
vezes por volume. É muito mais difícil do que entender a teoria da
relatividade.
A
linguagem é tudo para o ser humano. Quando Aristóteles fala no “animal
racional”, esse “racional”, do grego logos, quer dizer “linguagem” também,
refere-se ao animal que fala. É através da fala, é através da linguagem que
você conquista a sua participação nesses vários círculos de intercâmbio humano,
desde o círculo da sua família, passando depois pelo círculo do ginásio, até o
círculo da alta cultura. Agora, depois do círculo da alta cultura tem mais
algo? Tem, porque quando se chega aí você já aprendeu a conversar com os
mestres, você se põe diante do olhar deles, sob o julgamento deles ― não sob o julgamento do Seu Zé Mané ou do seu
professor. Não, não, não! Você se põe sob o julgamento dos melhores. Depois
você começa a ter uma idéia do interlocutor universal, interlocutor onisciente,
e então passa a pensar não mais no que São Tomás de Aquino pensa de você, nem
no que Shakespeare pensa de você, mas no que Deus pensa de você. E isso começa
a fazer sentido para você. Fora disso, a palavra Deus não quer dizer nada para
você; e se você acredita nele ou não, é absolutamente irrelevante.
O
desastre de um país onde se perdeu a alta cultura é que tudo é decidido em
função de interesses subjetivos de indivíduos ou de grupos e não existe em
parte alguma apreensão mínima sobre a realidade. Estamos em uma situação de
descontrole total. E onde há uma situação de descontrole total, há uma espécie
de desespero e, naturalmente, as pessoas que estão encarregadas de dirigir a
sociedade acabam inventando mais controles para ver se elas adquirem o domínio
da situação. Só que esses controles também não incidem sobre a realidade, são
coisas aleatórias, absurdas, que não fazem sentido. Por exemplo, o Brasil é um
país que tem 50 mil homicídios por ano ― é o país mais assassino do universo –,
onde os estudantes tiram as menores notas nos testes internacionais ― é o país
mais analfabeto, mais burro do universo.
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
As duas globalizações
O
noticiário diário, controlado por pessoas ideologicamente comprometidas com as
ideias da esquerda, fala-nos de globalização como
se o léxico tivesse um único significado. Com efeito, quando falam em
globalização normalmente os órgãos de imprensa se referem a aspectos do
comércio internacional e transações financeiras, movimento de pessoas e
imigração, sem dar maiores explicações sobre outras coisas que estão implícitas
na expressão. Quase nunca se vê no noticiário o aspecto político da outra globalização,
aquela que propõe a integração política de todas as nações do Globo e a
extinção equivalente dos Estados nacionais como entidade autônoma.
Esse
processo político é, na verdade, a maior ameaça que paira sobre a humanidade
desde a origem, uma vez que tal entidade política mundial não poderia ser outra
coisa que não uma ditadura de uma elite burocrática iluminada que governaria
acima e além dos anseios de liberdade das pessoas.
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
"A reeducação das emoções é impossível sem passar primeiro pela
reeducação da inteligência, de modo que esta assuma, pouco a pouco, o comando
da alma inteira e se torne o centro da personalidade em vez de um penduricalho
inútil a serviço da autojustificação histérica. Ser inteligente é, nesse
sentido, como já lembrava Lionel Trilling, a primeira das obrigações morais.
Sem inteligência, até as virtudes mais excelsas se tornam caricaturas de si
mesmas''.
Olavo de Carvalho
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
A busca da verdade. Penso, logo existo em Descartes
Qual
é a maneira correta de investigar o problema da verdade? É rastrear como a
noção da verdade passou a existir para você. Talvez você não chegue a um
conceito da verdade, mas terá uma noção suficientemente clara para poder
reconhecê-la, quando ela se apresentar de novo. É isso aí que eu chamo de
método da confissão. A confissão começa pelo procedimento oposto àquele que se
tornou comum depois de René Descartes: em vez de colocar tudo em dúvida, você
vai começar por reconhecer o que você já sabe e o que não pode deixar de saber
para poder colocar essa questão que você está colocando.
Descartes
estava procurando uma afirmação que fosse verdadeira em todas as
circunstâncias. Se é verdadeira em todas as circunstâncias, então não depende
de nenhuma delas — era isso o que ele estava procurando. Mas nós não estamos
procurando uma afirmação, um juízo. Nós estamos procurando lançar luz sobre a
nossa experiência real; procurando elucidar para nós mesmos o que de fato
aconteceu. Descartes, quando busca essa sentença infalível, de certo modo tenta isolá-la de todas as
outras, isto é, uma sentença que não depende de mais nenhuma outra. Então ela
chega à conclusão: “Eu penso, logo existo. Todas as vezes que eu penso isso,
isso é verdade. Ou seja, se não existisse mais nada além de mim mesmo pensando,
isso continuaria sendo verdade; e se eu jamais tivesse pensado, isso
continuaria sendo verdade, porque, quando eu pensasse a primeira vez, eu
existiria.” É isso o que ele está procurando: uma verdade totalmente
independente de qualquer condição externa.
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
Escolas
A
partir dos anos 60, em que as universidades são ocupadas por esse pessoal
militante, gramsciano etc., aí é que se torna assim. Pior ainda, porque o
objetivo ali não é despertar efetivamente a capacidade intelectual do sujeito,
mas moldá-la para que ele se comporte desta ou daquela maneira. Para que ele se
integre no grupo, diga as mesmas coisas que o grupo está dizendo, sinta as
mesmas coisas e seja facilmente mobilizável para esta ou aquela reivindicação
ou organização política etc. Podemos dizer que, no Brasil, praticamente toda a
educação se transformou em educação social e adestramento.
Quando
você vê as coisas que aconteceram na semana passada na USP, aqueles movimentos
reivindicatórios, aquela coisa toda. Em nenhum momento aparece na cabeça
daquelas pessoas a idéia de que aquilo é uma universidade pública e, portanto,
eles não pagam nada pelo que estão recebendo, é tudo de graça. E tudo o que é
de graça foi extraído dos impostos pagos não por moleques, mas por pessoas de
40, de 50 anos que estão trabalhando — que vão desde a classe média até o
operariado mesmo — está todo mundo ali pagando imposto. Você não compra nada,
não compra um maço de cigarro sem pagar imposto, não compra um saco de feijão
sem pagar imposto. Todo mundo está pagando imposto, menos aqueles camaradas,
eles só estão recebendo, quer dizer, eles não estão fazendo nada pela
sociedade, eles estão recebendo tudo e de graça. E na hora em que um sujeito
desses sente que tem direito a reivindicar, ele já se transformou num bandido
automaticamente. [00:20] Ele não tem direito de reivindicar nada, nada, nada.
Quem está recebendo de graça tem de calar a boca e fazer o que lhe mandam. Quem
tem o direito de reivindicar é quem está trabalhando, é quem está produzindo.
Por
exemplo, o cidadão que paga 40% de imposto tem todo o direito de fazer uma
greve, de parar, de xingar o governador de Estado, xingar ministro etc. Agora,
molecada que está recebendo tudo de graça, e que não contribui nem com imposto
e nem com trabalho, é um absurdo que a pessoa se sinta habilitada a
reivindicar. É uma coisa muito, vamos dizer... a famosa regra áurea da
convivência humana, que é o segundo mandamento: “Ama a teu próximo como a ti
mesmo”, que significa que você deve dar ao outro o mesmo tratamento que você
deseja receber. Então naturalmente aquele que está sendo beneficiado com o
ensino gratuito, e às vezes moradia gratuita e não sei que mais gratuito,
assistência médica gratuita etc., ele deveria pensar: “Como eu posso
reivindicar mais do que eu poderia dar? Não faz sentido isto, isto é um insulto
às pessoas pobres que estão trabalhando para me manter aqui.”
Um
operário de fábrica ou um trabalhador qualquer que faz uma greve ou um
movimento, está reivindicando em nome daquilo que ele deu: “Eu trabalhei aqui,
eu fiz isso, mais aquilo, mais aquilo, mais aquilo, e o que eu estou recebendo
em troca é injusto.” Agora, o estudante que não deu absolutamente nada e que
está recebendo tudo?! Como é que essas pessoas não percebem a sua verdadeira
situação social? É simples: porque a própria circunstância social na qual eles
vivem os ensina a encará-la não com o espírito de conhecimento e de
objetividade científica, mas com o espírito de adestramento para certas
atividades reivindicatórias, políticas, revolucionárias etc. Isto quer dizer
que o sujeito não sabe onde ele está e não sabe o que está fazendo, ele só sabe
aquilo que os seus colegas e os seus gurus acham que ele deve fazer, e que instigam
nele a revolta e o ódio contra aqueles que não fazem. Isto aí é adestramento de
macaco, evidentemente.
Curiosamente,
embora esse tipo de atitude induza o indivíduo ao servilismo grupal mais
extremo, ao ponto dele sentir que quem não pertence ao seu grupo não presta, é
um fascista etc. Acabo de ver o documentário da USP, o pessoal chamando os
outros de fascistas só porque os outros não queriam entrar na greve também, não
queriam entrar no movimento também, até batendo nos caras. Essas pessoas foram
adestradas para não saber onde estão, não saber qual é a sua verdadeira posição
social, mas saber o que eles têm de fazer para serem aceitos no grupo. Embora
essa educação concebida assim seja extremamente autoritária — o máximo do
autoritarismo possível, onde tentar compreender a realidade é proibido e a
única coisa permitida é comportar-se do jeito que se espera que você se
comporte —, as pessoas acreditam que, ao contrário, elas estão lutando pela
liberdade. Quando chega nesse ponto está tudo perdido, as pessoas
intelectualmente se transformaram em lixo e dali nunca vai sair nada. Para um
sujeito desses um dia começar a raciocinar criticamente — eles falam tanto em
pensamento crítico, análise crítica etc., mas onde eles exercem essa crítica?
Eles exercem essa crítica sobre coisas que nunca viram, e jamais raciocinam
criticamente sobre a sua própria situação.
Por
exemplo, vamos supor, quando um sujeito, num movimento desses, grita para o
outro: “fascista!”. Eu digo: você imagina um aluno da USP fazendo um movimento
para que o Estado lhe dê ainda mais do que já está dando, em troca de nada, e
que ele vê outro lá estudando e o chama de fascista. Ele está imaginando que
existe um governo nazi-fascista, um Mussolini, um Hitler, e que ele
heroicamente é um membro da resistência. É claro que é uma imaginação
totalmente deslocada da situação real. E se entra, por exemplo, a polícia lá um
minuto, eles fazem um quebra-quebra. E se entra a polícia para parar, aí é que
eles são confirmados na sua loucura: “Está vendo?! São as tropas fascistas
vindo aqui para nos esmagar.” Esse pessoal passa a vida num sistema mitológico,
totalmente deslocado da realidade e aprendem a jamais perceber o que elas
mesmas estão fazendo.
Quando
você não tem idéia de si próprio como agente produtor da situação, então você
está totalmente alienado, porque, às vezes, nós não entendemos como é que a sociedade
funciona e o que está acontecendo, mas, pelo menos, nós temos de saber o que
nós estamos fazendo, quais são as conseqüências das nossas ações e qual é o
peso delas dentro do contexto. A situação verdadeira é de "filhinhos de
papai e mamãe" que estão recebendo tudo de graça em troca de absolutamente
nada e que estão revoltadíssimos com o papai, com a mamãe, com a sociedade, com
o maldito capitalismo, com o governo que lhes deu tudo etc. Esta é a situação
real. Na cabeça deles, eles são o proletariado em luta contra a opressão
fascista. É claro que estão vivendo em um teatrinho imaginário e vão passar a
vida assim. E desse teatrinho imaginário vai sair todo um conjunto de
mecanismos de linguagem, um conjunto de associações de idéias e de metáforas, uma
retórica inteira que os vai manter dentro desse mundo ilusório, dessa segunda
realidade pelo resto de suas vidas. Alguns chegam aos sessenta, setenta anos e
ainda estão metidos nisso
terça-feira, 18 de outubro de 2016
Usados como pejorativos, “fascismo”,
“inquisição”, “medieval”, “retrocesso”, “em pleno século XXI” etc. são termos
do vocabulário demagógico mais baixo e mais grosso que se pode conceber.
Qualquer pretenso intelectual que os use assim só prova a pobreza do seu
universo lingüístico.
O fascismo não foi
fundado nem por burgueses, nem por proletários, nem pela “classe média”. Foi
fundado por soldados que voltavam do front de batalha, traumatizados pela visão
direta da crueldade e do horror, e que, sentindo-se deslocados no teatrinho da
ordem burguesa, acharam que era uma boa idéia atear fogo em tudo, transformando
a política em guerra. Não existe NENHUMA possibilidade de compreender o
fascismo em termos marxistas de “luta de classes”: essa hipótese foi inventada
pela URSS para camuflar, sob densas camadas de retórica e propaganda, a sua
colaboração com o nazismo.
Já estou com o
saco cheio de intelectuais de merda (de esquerda ou de direita) que usam
“fascismo” como puro insulto, aplicando-o a coisas e pessoas que nada têm a ver
com fascismo nenhum. Esse termo designa um conceito histórico descritivo que é
de suma importância para a compreensão do processo político, e não deve ser
prostituído para servir a fins de propaganda barata.
Metafísica da História: o mito do "avanço-retrocesso".
O anúncio da
Paixão
Olavo de Carvalho
O Globo, 2 de abril de 2005
O Globo, 2 de abril de 2005
Em artigo publicado esta semana, o teólogo
Hans Kung, após repetir da boca para fora as homenagens de praxe aos méritos de
João Paulo II, acusa o papa de “retrocesso”, delito equivalente, na mentalidade
politicamente correta, ao que na ética judaico-cristã seria o pecado de
idolatria.
A credibilidade automática do topos “avanço-retrocesso”
revela até que ponto se arraigou, na imaginação contemporânea, a crença
dogmática numa vulgar e estereotipada metafísica da História, na qual a linha
dos tempos teria a obrigação de ir, invariável e mecanicamente, no sentido
daquilo que Gramsci denominava “a
terrestrialização absoluta do pensamento”, meta e valor supremo da
existência. Nesse quadro, quem quer que insista em acenar com verdades
universais ou valores permanentes se torna ipso facto culpado de “retrocesso obscurantista”.
Embora todo o saber histórico existente
seja um desmentido cabal dessa premissa, ela continua firmemente ancorada no
solo da sabedoria convencional, a tal ponto que o apelo à sua autoridade basta
para validar automaticamente qualquer argumento sobre o que quer que seja. No
entender de Hans Kung, por exemplo, a obrigação primordial da Igreja seria a de
amoldar-se docilmente a esse trajeto ideal, sacrificando toda verdade eterna no
altar da deusa História. Violando
esse mandamento, João Paulo II tornou-se o abominável apóstolo do
fundamentalismo.
É praticamente impossível aos crentes do
progressismo universal perceber que o seu dogma, além de impugnado pelos fatos
sangrentos resultantes da sua aplicação em metade do mundo, é uma estupidez que
não pode sequer ser concebida mentalmente sem levar a absurdidades
insuportáveis.
Se
há uma linha de progresso incontornável e se ela consiste na redução crescente
das preocupações humanas às exigências da carne e da economia, então não há
limite para essas exigências, que devem continuar crescendo indefinidamente na
mesma direção, por acúmulo quantitativo sem nenhuma mudança essencial de rumo.
Cabe ao
Estado acelerar esse percurso, tornando-se
o guardião das luzes contra o retrocesso obscurantista. À liberação feminista
dos anos 60 deve seguir-se, portanto, a institucionalização do casamento gay, a
expansão ilimitada do abortismo e a extinção da família tal como conhecida nos
últimos vinte séculos. Nessa direção, os próximos passos devem ser a liberação
da pedofilia, a legitimação do sadomasoquismo, a consagração da bestialidade,
do homicídio voluptuoso e assim por diante. Quem quer que se oponha a essa
evolução é réu de crime de “intolerância” – delito, evidentemente, intolerável.
Não há nada de estranho em que o mandamento evolucionista condene à morte não
só as idéias como também as pessoas que atravanquem o seu caminho. Terri
Schiavo, por exemplo, tornou-se um obstáculo às deleitações sexuais de seu
marido. Este representava a evolução, o progresso e as luzes; ela, a
resistência fundamentalista, condenável por definição. A mudez final de um papa
moribundo, no instante mesmo em que os valores que ele representava eram
sacrificados na pessoa de Terri Schiavo, é o símbolo perfeito da mutação
dialética em que a pregação da tolerância se converte em exigência nazista de
extinção dos inconvenientes, conservando, ao mesmo tempo, seu prestígio de
ideologia libertária e democrática contra a qual ninguém deve abrir a boca. No
mundo ideal de Hans Kung, a liberdade e a tirania se tornam indiscerníveis.
Quando o direito ao prazer se impõe contra o direito à vida, como se a vida não
fosse o pressuposto do prazer, o ódio anticristão já pode ser vendido como
teologia cristã sem que ninguém note a diferença.
Muitos elementos científicos, simbólicos,
mitológicos e artísticos que foram desenvolvidos na Suméria e no Egito, foram
depois incorporados pela Filosofia Grega. O que a Filosofia Grega vai trazer de
novidade é — o que já foi assinalado por vários autores como Bruno Snell e Eric
Voegelin — a idéia da alma humana e do autoconhecimento humano como princípio
organizador, quer dizer, não é mais a ordem cósmica que funciona como modelo
organizador da sociedade, mas uma alma humana que busca se completar, busca sua
própria maturidade, sua própria perfeição e a partir daí ela observa a
sociedade.
Vemos, por exemplo, que Sócrates julga a
sociedade — ninguém fez isso antes dele — ele julga a sociedade a partir de sua
própria experiência, a experiência de buscar a verdade dentro de si. Ele
encontra um novo princípio ordenador que não é acessível imediatamente à
sociedade como um todo, mas somente ao indivíduo que se entrega a esta tarefa.
Quando ele busca saber a verdade sobre si mesmo e sobre cada um dos tópicos que
estão em discussão publicamente, Sócrates está se entregando a um exercício que
não corresponde a nenhuma função pública existente. Então é a consciência do
filósofo que se transforma na nova unidade de medida para se julgar os atos
sociais. Claro que não se trata de uma mera opinião individual, mas o exercício
de uma busca interior da verdade com persistência e honestidade até o fim. É
assim que o filósofo conquista uma espécie de autoridade intelectual — notem
bem, apenas intelectual — superior a da sociedade. Apenas intelectual, porque
Sócrates não se considera de fato superior à sociedade ao ponto de querer
mudá-la. Ele não está fazendo um movimento de mudança social, — Platão, na
juventude, quis fazer isso e acabou percebendo que era besteira — mas Sócrates
está apenas fornecendo um espelho para a sociedade, tanto é que reconhece a autoridade
que a sociedade tem sobre ele quando, ao ser condenado à morte, aceita a
sentença. Ele não quer a desordem social, quer apenas elevar o nível de
consciência da sociedade. Já hoje em dia, qualquer moleque de 14 anos acha que
pode transformar o mundo. Sócrates não queria tanto assim.
Se formos perguntar pelo porque essa
condição só aparece na Grécia, eu diria que um dos motivos, que eu considero
evidentemente o mais importante, foi o fato de que ali havia muita disputa
entre os cargos públicos no sistema democrático vigente. A ocupação desses
cargos públicos dependia da capacidade de persuasão que as pessoas tivessem,
então se desenvolve ali, ao longo de muitos séculos, a arte da retórica, que
era, evidentemente, a arte do político. Foi quando a multiplicação dos
discursos retóricos, todos eles eficientes, criou uma massa crítica suficiente
para que as contradições do conjunto aparecessem, entra Sócrates na história.
Atenas já tinha uma série de discursos públicos altamente persuasivos, todos
eles parecendo verídicos, mas que são contraditórios entre si. De certo modo,
essa situação requer outro tipo de atividade que ainda não existia, que é a
comparação desses discursos não do ponto de vista de sua eficiência, mas de sua
veracidade, o que é exatamente o que Sócrates vai fazer. A intensa atividade
política e a existência de uma técnica política — a arte retórica — altamente
desenvolvida possibilitou eminentemente o surgimento da Filosofia em Atenas. O
que eram os sofistas? Professores de retórica altamente preparados.
Primeiro, a existência de uma camada de
pessoas muito cultas, muito preparadas na arte retórica, na arte literária etc.
e, segundo, tinha-se um acúmulo suficiente de contradições para despertar o
desejo de algo mais. Acho que essa foi a condição principal.
Você deve estudar moderadamente e no
instante em que você está estudando dar tudo de si. Jean Guitton, no livro
Conselhos Sobre a Vida Intelectual, diz que um dos segredos da educação
intelectual é não haver a meia-dedicação. Se você está querendo prestar atenção
nos estudos, mas está divagando, sonolento, não permaneça nesse estado
intermediário, pare imediatamente e vá fazer outra coisa. Só estude quando
estiver com interesse total. Se não tem interesse naquele assunto vá estudar um
outro e se não estiver conseguindo se concentrar em nada é melhor que deixe
seus estudos para o dia seguinte. Só aproveite os bons momentos. Sua
produtividade será de uma ou dias horas, não passará disto.
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
A origem dos maiores
crimes e atrocidades não é a cobiça, não é a inveja, não é o desejo de poder,
não são nem mesmo os maus instintos: é o anseio pueril de uma radical
transfiguração da realidade terrestre, quando, num estalar de dedos, "tudo
será mais belo", como dizia Antonio Gramsci. O anseio de beleza e
felicidade universais, quando desacompanhado da caridade, para com os seres
humanos de carne e osso, investe os seus portadores de uma mágica autoridade
moral que os imuniza contra as conseqüências de
seus atos mais bárbaros e hediondos. Neste mundo, todos acabam, mais dia, menos
dia, pagando pelos seus crimes, exceto os comunistas.
Todo mundo tem medo de puni-los: medo de
destruir, junto com a imagem deles, a miragem barata da felicidade universal. A
verdadeira bondade humana consiste em amar o próximo num mundo mau e triste
onde ele precisa de ajuda e consolo. O "mundo mais belo" é a farsa
demoníaca que abole a caridade em nome de um futuro reino do amor universal.
Só aqueles que sabem
que o mundo jamais será mais belo, que a única beleza que existe neste planeta
é a caridade no meio da feiúra, só esses são capazes de combater o comunismo.
- Olavo de Carvalho
A mensagem do
filósofo aos jovens estudantes, no que diz respeito à dificuldade financeira, é
simples, quanto pior ficar a sua condição econômica, mais se apeguem à sua
vocação intelectual. Não cedam à pressão de um mundo que quer matar em vocês o
espírito à força de atormentá-los com problemas financeiros. O mundo, no
sentido bíblico do termo (isto é, a sociedade mundana), só respeita quem o
despreza. Na Primeira Guerra Mundial, o físico Werner Heisenberg, então um
adolescente, numa cidade reduzida à miséria pelo cerco e pelos bombardeios, se
escondia no porão de uma igreja para ler Platão e discutir com seus amigos a
metafísica de Malebranche.
Foram os anos
decisivos de sua formação: ele poderia tê-los perdido, aguardando melhores dias
para estudar. Mas nada, neste mundo, pode vencer a determinação do homem que é
fiel à vocação espiritual. Não se intimidem, não desistam. Quanto mais pobres
vocês ficarem, mais se dediquem aos estudos. A porcaria reinante não
prevalecerá sobre a sinceridade dos seus esforços. Digo isto com a experiência
de quem, ao longo de mais de duas décadas de pobreza, com mulher e filhos para
sustentar, jamais deixou de estudar um único dia, aproveitando cada momento
livre e abdicando de toda sorte de viagens e divertimentos. Nunca esperei que
minha situação melhorasse para depois estudar, e garanto: seja teimoso, e um
dia o mundo desiste de tentar dominar você pela fome.
- Olavo de Carvalho
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
Paranóia Sociológica
A teoria da “violência simbólica” pressupunha ou
uma megaconspiração cujos traços documentais desapareceram para sempre, ou o
milagre de uma intenção inconsciente ser capaz de manipular o inconsciente
alheio com a precisão de um cálculo matemático. Se as duas hipóteses são
francamente dadaístas, à segunda vem acrescentar-se ainda mais um fator
complicante. Para que os educadores fossem induzidos a trabalhar
inconscientemente para os interesses da burguesia, teria sido preciso que a
burguesia os manipulasse para esse fim, o que supõe que os capitalistas fossem
educadores ainda mais hábeis do que os educadores profissionais, impondo a
estes, por meio de “violência simbólica”, as normas e padrões de uma violência
simbólica de segundo grau que, inconscientemente, eles deveriam repassar à
multidão dos dominados. Também não há registro histórico de que isso jamais
tivesse acontecido, é claro.
Ananda Coomaraswamy - O Sentido da Morte
O sentido da morte está inseparavelmente ligado ao
sentido da vida. Nossa experiência animal é apenas de hoje, mas nossa razão
toma contas também do amanhã; daí, na medida em que nossa vida é intelectual, e
não meramente sensorial, nós estamos inevitavelmente interessados na questão, O
que acontece "conosco" no amanhecer da morte. Essa é, evidentemente,
uma pergunta que só pode responder em termos do que ou quem "nós"
somos agora, mortal ou imortal: uma questão da validade que ligamos, por um
lado, a nossa convicção de ser "este homem, tal e tal" e, do outro
lado, a nossa convicção de ser incondicionalmente.
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Alguns FATOS importantes
·
Abril de 2001: o traficante Fernandinho-Beira Mar confessa que compra e injeta
no mercado brasileiro, anualmente, duzentas toneladas de cocaína das Farc em
troca de armas contrabandeadas do Líbano.
· 7 de dezembro de 2001: O Foro de São Paulo, coordenação do movimento comunista latino-americano, sob a presidência do sr. Luís Inácio Lula da Silva, lança um manifesto de apoio incondicional às Farc, no qual classifica como “terrorismo de Estado” as ações militares do governo colombiano contra essa organização.
· 17 de outubro de 2002: O PT, através do assessor para assuntos internacionais da campanha eleitoral de Lula, Giancarlo Summa, afirma em nota oficial que o partido nada tem a ver com as Farc e que o Foro de São Paulo é apenas “um foro de debates, e não uma estrutura de coordenação política internacional”.
· 1º. de março de 2003: O governo petista estende oficialmente seu manto de proteção sobre as Farc, recusando-se a classificá-las como organização terrorista conforme solicitava o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.
· 7 de dezembro de 2001: O Foro de São Paulo, coordenação do movimento comunista latino-americano, sob a presidência do sr. Luís Inácio Lula da Silva, lança um manifesto de apoio incondicional às Farc, no qual classifica como “terrorismo de Estado” as ações militares do governo colombiano contra essa organização.
· 17 de outubro de 2002: O PT, através do assessor para assuntos internacionais da campanha eleitoral de Lula, Giancarlo Summa, afirma em nota oficial que o partido nada tem a ver com as Farc e que o Foro de São Paulo é apenas “um foro de debates, e não uma estrutura de coordenação política internacional”.
· 1º. de março de 2003: O governo petista estende oficialmente seu manto de proteção sobre as Farc, recusando-se a classificá-las como organização terrorista conforme solicitava o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.
Acordo de Paz Com As FARC
Estranguladas pelo Exército, odiadas pelo povo colombiano, reduzidas a um décimo de seu
contingente e, por fim, desmoralizadas pelo resgate espetacular de quinze
reféns, as Farc estão seguindo o manual de instruções e fazendo exatamente o
que a guerrilha brasileira fez em circunstâncias idênticas: partiram para o
gerenciamento de danos e tentam desesperadamente transformar a derrota militar
em vitória política.
Se bem sucedida, essa operação terá sido,
no fim das contas, o triunfo mais espetacular que a gangue poderia ter
desejado. Todos os clássicos da guerra revolucionária explicam que guerrilhas
não têm por alvo derrotar o adversário no campo de batalha, mas forçá-lo a
aceitar exigências políticas. Esse é o único objetivo a que podem aspirar e a
única razão de ser da sua existência – e, para isso, a derrota militar pode ser
ainda melhor do que a vitória. O exemplo do Vietnã ainda está na memória de
todos, mas não precisamos ir buscar tão longe: nosso governo atual não é outra
coisa senão as guerrilhas dos anos 60-70 transfiguradas em poder político pelas
boas graças da anistia.
BOCAGE - Terá fim, mas não sei quando
Sócrates, rei da
razão,
Empunha a fatal sicuta,
E da morte, à extrema luta
Não lhe treme o coração:
Supportou-lhe a gradação
Com um ar sereno, e brando:
Dos discípulos ao bando
Disse: "Eu morro, e não me queixo;
E a memória, que vos deixo,
"Terá fim, mas não sei quando."
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Quem é filósofo e quem não é
À medida
que se espalha a consciência da debacle total das nossas universidades públicas
e privadas, cresce o número de brasileiros que, valentemente, buscam estudar em
casa e adquirir por esforço próprio aquilo que já compraram de um governo
ladrão – ou de ladrões empresários de ensino – e jamais receberam.
Quase dez anos atrás a Fundação Odebrecht
– no mais, uma instituição admirável – me perguntou o que eu achava de uma
campanha para cobrar do governo um ensino de melhor qualidade. Respondi que era
inútil. De vigaristas nada se pede nem se exige. O melhor a fazer com o sistema
de ensino era ignorá-lo. Se queriam prestar ao público um bom serviço,
acrescentei, que tratassem de ajudar os autodidatas, aquela parcela heróica da
nossa população que, de Machado de Assis a Mário Ferreira dos Santos, criou o
melhor da nossa cultura superior. O meio de ajudá-los era colocar ao seu
alcance os recursos essenciais para a auto-educação, que é, no fim das contas,
a única educação que existe. Cheguei a conceber, para isso, uma coleção de
livros e DVDs que davam, para cada domínio especializado do conhecimento, não
só os elementos introdutórios indispensáveis, mas as fontes para o
prosseguimento dos estudos até um nível que superava de muito o que qualquer
universidade brasileira poderia não só oferecer, mas até mesmo imaginar.
Minha sugestão foi gentilmente engavetada,
e, com ou sem campanha de cobrança, o ensino nacional continuou declinando até
tornar-se aquilo que é hoje: abuso intelectual de menores, exploração da boa-fé
popular, crime organizado ou desorganizado.
Na mesma medida, o número de cartas
desesperadas que me chegam pedindo ajuda pedagógica multiplicou-se por dez, por
cem e por mil, transcendendo minha capacidade de resposta, forçando-me a
inventar coisas como o programa True Outspeak,
o Seminário de Filosofia
Online e
outros projetos em andamento. E ainda não dou conta da demanda. As cartas
continuam vindo, e o pedido que mais se repete é o de uma bibliografia
filosófica essencial. É pedido impossível. O primeiro passo nessa ordem de estudos
não é receber uma lista de livros, mas formá-la por iniciativa própria, na base
de tentativa e erro, até que o estudante desenvolva uma espécie de instinto
seletivo capaz de orientá-lo no labirinto das bibliotecas filosóficas. O que
posso fazer, isto sim, é fornecer um critério básico para você aprender a
discernir à primeira vista, entre os autores que falam em nome da filosofia,
quais merecem atenção e quais seria melhor esquecer.
Tive a sorte de adquirir esse critério
pelo exemplo vivo do meu professor, Pe. Stanislavs Ladusãns. Quando ele atacava
um novo problema filosófico – novo para os alunos, não para ele –, a primeira
coisa que fazia era analisá-lo segundo os métodos e pontos de vista dos
filósofos que tinham tratado do assunto, em ordem cronológica, incorporando o
espírito de cada um e falando como se fosse um discípulo fiel, sem contestar ou
criticar nada. Feito isso com duas dúzias de filósofos, as contradições e
dificuldades apareciam por si mesmas, sem a menor intenção polêmica. Em seguida
ele colocava em ordem essas dificuldades, analisando cada uma e por fim
articulando, com os elementos mais sólidos fornecidos pelos vários pensadores
estudados, a solução que lhe parecia a melhor.
segunda-feira, 25 de julho de 2016
Egrégoras
INFLUENCIAS ESPIRITUALES Y «EGREGORES»
Hemos quedado un poco sorprendidos al leer recientemente, en una nota cosagrada a nuestro Apercepciones sobre la Iniciación, la frase siguiente, presentada de tal manera que se podría creer que resume en cierto modo lo que hemos dicho nos mismo en ese libro: «La iniciación, ciertamente, no dispensa ni de la meditación ni del estudio, pero coloca al adepto sobre un plano particular; le pone en contacto con el egregor de una organización iniciática, emanado él mismo del egregor supremo de una iniciación universal, una y multiforme». No insistiremos sobre el empleo abusivo que se hace aquí de la palabra «adepto», aunque, después de que lo hemos denunciado expresamente explicando la verdadera significación de esta palabra, nos esté permitido extrañarnos de ello; de la iniciación propiamente dicha al adeptado, mayor o incluso menor, la vía es larga... Pero lo que importa más, es esto: como en la nota de que se trata, no se hace por lo demás la menor alusión al papel de las influencias espirituales, parece haber ahí una equivocación bastante grave, que otros pueden haber cometido igualmente, a pesar de todo el cuidado que hemos puesto en exponer las cosas tan claramente como es posible, pues decididamente, parece que frecuentemente es muy difícil hacerse comprender con exactitud. Pensamos pues que una puesta a punto no será inútil; por lo demás, estas precisiones seguirán de manera bastante natural a las que ya hemos dado, en nuestros últimos artículos, en respuesta a las diversas cuestiones que nos han sido planteadas sobre el tema del vinculamiento iniciático.
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