Só há duas fontes de conhecimento: a intuição e o testemunho. Intuição não é "apreensão pelo subconsciente", "penetração no interior das coisas", "sentimento de identificação", nem nenhuma dessas patacoadas. É PERCEPÇÃO IMEDIATA DE UMA PRESENÇA. Um raciocínio ou demonstração lógica não passa de um encadeamento de percepções intuitivas da identidade ou diferença entre proposições (presentes à consciência). Tudo o que não é conhecimento intuitivo é confiança num testemunho. Não há uma terceira maneira de conhecer. Isso NÃO É diferente na religião e na ciência.
Ascese,Tradição e Salvação!
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
sábado, 19 de novembro de 2016
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
O Despertar
Preparem-se. Nos próximos anos a desordem do mundo atingirá o patamar da alucinação permanente e por toda parte a mentira e a insanidade reinarão sem freios. Não digo isso em função de nenhuma profecia, mas porque estudei os planos dos três impérios globais e sei que nenhum deles tem o mais mínimo respeito pela estrutura da realidade. Cada um está possuído pelo que Eric Voegelin chamava "fé metastática", a crença louca numa súbita transformação salvadora que libertará a humanidade de tudo o que constitui a lógica mesma da condição terrestre. Na guerra ou na paz, disputando até à morte ou conciliando-se num acordo macabro, cada um prometerá o impossível e estreitará cada vez mais a margem do possível. A Igreja Católica é a única força que poderia, no meio disso, restaurar o mínimo de equilíbrio e sanidade, mas, conduzida por prelados insanos, vendidos e traidores, parece mais empenhada em render-se ao espírito do caos e fazer boa figura ante os timoneiros do desastre. No entanto, no fundo da confusão muitas almas serão miraculosamente despertadas para a visão da ordem profunda e abrangente que continua reinando, ignorada do mundo. Muitas consciências despertarão para o fato de que o cenário histórico não tem em si seu próprio princípio ordenador e só faz sentido quando visto na escala da infinitude, do céu e do inferno. Essas criaturas sentirão nascer dentro de si a força ignorada de uma fé sobre-humana e nada as atemorizará.
sábado, 12 de novembro de 2016
Nós não temos nenhum acesso ao Ser
Vamos considerar uma frase de Michel de
Montaigne: “Nós não temos nenhum acesso ao Ser.” Ele pode criar um discurso
lógico para demonstrar isso. Este discurso lógico será coerente em si mesmo,
mas pergunto eu: em que universo está colocado este discurso? Em que universo
Michel de Montaigne disse isso? Ele imagina que disse isso em um universo
separado que é sua própria mente. Ele está dizendo: a minha mente tem uma
totalidade, uma unidade, e dentro dela eu chego a uma conclusão de que não
tenho acesso ao Ser. Portanto, este discurso se desenrola em um mundo separado
que não é o mundo do Ser. Mas se é assim, como é que conseguimos ler este
discurso? Se você não tem acesso ao Ser, como é que eu tenho acesso ao seu
texto? O fato de que eu, transcorridos quatro séculos da morte de Michel de
Montaigne, possa ir a uma livraria comprar uma edição do livro dele, isso se
desenrola no mundo mental de Michel de Montaigne? Não é possível. Então, o
conteúdo da afirmação “nós não temos acesso ao Ser”, desmente a unidade do real
porque está pressupondo um mundo mental separado. O fato de que nós consigamos
criar um discurso e prestar atenção somente nele, fazendo abstração de tudo o
mais, é algo que evidentemente nos engana, pois não é por você prestar atenção
só em uma coisa que todas as outras desaparecem. Por exemplo: para que Michel
de Montaigne tivesse dito isto foi preciso que ele tivesse nascido algum dia, e
para isso papai e mamãe Montaigne tiveram de praticar certos atos libidinosos
que não fazem parte de maneira alguma do mundo mental de Michel de Montaigne, o
qual naquele momento ainda não existia. Se eu sei que nasci, como posso dizer
que não tenho nenhum acesso ao Ser?
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
A fragilidade de uma sociedade baseada na moralidade científica
No mês de outubro comemoraram-se os sessenta
anos da publicação do célebre ensaio "The Two Cultures", em que o
cientista e romancista C. P. Snow defendia a tese de que a ciência deveria
sobrepor-se às letras e à filosofia (para nem falar da religião) no guiamento
moral da humanidade. Na estréia do livro o crítico Frank Raymond (F. R.) Leavis
escreveu um panfleto em que xingava Snow de tudo quanto era nome. Pegou mal.
Foi um escândalo, e só contribuiu para consolidar a reputação de Leavis como um
touro na loja de louças. Mas hoje sabemos que a idéia de Snow, aplicada
universalmente, rebaixou a moralidade pública ao nível da barbárie e contribuiu
decisivamente para a deterioração moral da própria ciência, hoje um campo em
que a fraude reina soberana. Donde concluo que Leavis xingou pouco.
Estive
lendo esses dias o escrito do crítico inglês Frank Raymond Leavis que ele
escreveu em resposta ao livro do Snow, As duas culturas. Ele fala tantas coisas
horríveis do Snow, que até hoje ninguém gosta de falar desse livro ― “Não, isto
é um negócio muito mal educado, não podia ser assim...” Olha, eu acho que foi
inteiramente merecido. Por exemplo, o Snow diz o seguinte: “vocês reclamam
quando uma pessoa não é capaz de ler Dickens, mas vocês não reclamam quando
alguém não sabe a segunda lei da termodinâmica”. Eu nunca conheci em meios
literários de alto nível, nem filosóficos, nem humanísticos etc. uma única
pessoa que não conhecesse a segunda lei da termodinâmica e não fosse capaz de
explicá-la. O simples fato de que a palavra entropia seja uma das mais usadas
nessas discussões já prova que a segunda lei da termodinâmica para eles é arroz
com feijão. No entanto, está provado estatisticamente que a quase totalidade
das pessoas que se formam em ciências não são capazes de ler Dickens. Eu tenho
uma tremenda dificuldade para ler Dickens. Esses dias eu estava desesperado,
porque ao lê-lo, a cada linha aparece uma palavra que eu não conheço ― e olha
que leio livros em inglês desde os 15 anos de idade. Dickens é como se fosse um
Aquilino Ribeiro, o vocabulário dele é uma monstruosidade. Então, estou lá eu
lendo com o dicionário, todo complexado, e daí vejo lá o próprio Snow
confessando que um doutor Ph.D em física não é capaz de ler Dickens. Eu lhe
digo, ora meu filho, o pessoal dos estudos humanísticos está muito mais
informado a respeito de ciência do que vocês estão informados a respeito do
resto, porque ciência não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. Ciência não é alta
cultura, jamais; nenhuma ciência é altacultura. Tanto que você pode chegar a
dominar uma ciência inteira sem ter praticamente cultura nenhuma. Se, por
exemplo, você quer entender a relatividade especial ― a relatividade geral é
mais complicada ―, você precisa apenas de álgebra do ginásio, não é um grande
problema. Há outras coisas que para serem entendidas precisam de uma matemática
mais complicada, mas aí você não precisa entender pessoalmente, pode pedir a um
amigo que lhe explique. Eu tenho muitos amigos físicos e engenheiros, e
pergunto para eles. Não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. Mas e ler Dickens? Ah,
ler Dickens é um bicho-de-sete-cabeças, sim, porque ele escreveu vinte romances
e para cada um deles você tem de consultar um dicionário pelo menos quinhentas
vezes por volume. É muito mais difícil do que entender a teoria da
relatividade.
A
linguagem é tudo para o ser humano. Quando Aristóteles fala no “animal
racional”, esse “racional”, do grego logos, quer dizer “linguagem” também,
refere-se ao animal que fala. É através da fala, é através da linguagem que
você conquista a sua participação nesses vários círculos de intercâmbio humano,
desde o círculo da sua família, passando depois pelo círculo do ginásio, até o
círculo da alta cultura. Agora, depois do círculo da alta cultura tem mais
algo? Tem, porque quando se chega aí você já aprendeu a conversar com os
mestres, você se põe diante do olhar deles, sob o julgamento deles ― não sob o julgamento do Seu Zé Mané ou do seu
professor. Não, não, não! Você se põe sob o julgamento dos melhores. Depois
você começa a ter uma idéia do interlocutor universal, interlocutor onisciente,
e então passa a pensar não mais no que São Tomás de Aquino pensa de você, nem
no que Shakespeare pensa de você, mas no que Deus pensa de você. E isso começa
a fazer sentido para você. Fora disso, a palavra Deus não quer dizer nada para
você; e se você acredita nele ou não, é absolutamente irrelevante.
O
desastre de um país onde se perdeu a alta cultura é que tudo é decidido em
função de interesses subjetivos de indivíduos ou de grupos e não existe em
parte alguma apreensão mínima sobre a realidade. Estamos em uma situação de
descontrole total. E onde há uma situação de descontrole total, há uma espécie
de desespero e, naturalmente, as pessoas que estão encarregadas de dirigir a
sociedade acabam inventando mais controles para ver se elas adquirem o domínio
da situação. Só que esses controles também não incidem sobre a realidade, são
coisas aleatórias, absurdas, que não fazem sentido. Por exemplo, o Brasil é um
país que tem 50 mil homicídios por ano ― é o país mais assassino do universo –,
onde os estudantes tiram as menores notas nos testes internacionais ― é o país
mais analfabeto, mais burro do universo.
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
As duas globalizações
O
noticiário diário, controlado por pessoas ideologicamente comprometidas com as
ideias da esquerda, fala-nos de globalização como
se o léxico tivesse um único significado. Com efeito, quando falam em
globalização normalmente os órgãos de imprensa se referem a aspectos do
comércio internacional e transações financeiras, movimento de pessoas e
imigração, sem dar maiores explicações sobre outras coisas que estão implícitas
na expressão. Quase nunca se vê no noticiário o aspecto político da outra globalização,
aquela que propõe a integração política de todas as nações do Globo e a
extinção equivalente dos Estados nacionais como entidade autônoma.
Esse
processo político é, na verdade, a maior ameaça que paira sobre a humanidade
desde a origem, uma vez que tal entidade política mundial não poderia ser outra
coisa que não uma ditadura de uma elite burocrática iluminada que governaria
acima e além dos anseios de liberdade das pessoas.
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