"Seria preciso poder restituir à palavra 'filosofia' sua significação
original: a filosofia -- o 'amor da sabedoria' -- é a ciência de todos
os princípios fundamentais; esta ciência opera com a intuição, que
'percebe', e não somente com a razão, que 'conclui'. Subjetivamente
falando, a essência da filosofia é a certeza; para os modernos, ao
contrário, a essência da filosofia é a dúvida: o filósofo deve
raciocinar sem nenhuma premissa (voraussetzungsloses Denken),
como se essa condição não fosse ela mesma uma ideia preconcebida; é a
contradição clássica de todo relativismo. Duvida-se de tudo, salvo da
dúvida."
Frithjof Schuon
"A filosofia,designa portanto,primeiramente,uma disposição prévia requerida para alcançar a sabedoria,e pode designar também,por uma natural extensão,a procura que,nascendo dessa disposição,deve conduzir ao conhecimento.É então apenas um estágio preliminar e preparatório,um caminhar para a sabedoria,um grau correspondente a um estado inferior a esta.
O desvio que se produziu depois consistiu em tomar esse grau transitório pelo próprio fim,em pretender substituir a sabedoria pela filosofia,o que implica o esquecimento ou o desconhecimento da verdadeira natureza desta última."
René Guenón
"A filosofia é a reflexão
crítica sobre o conhecimento e a cosmovisão. Ela pressupõe
conhecimentos extensos, experiência da vida e um certo patrimônio
de opiniões formadas que possam se tornar objeto de discussão.
Sem isso, a discussão filosófica não tem matéria-prima
e se torna puro confronto retórico vazio. Logo, não é
atividade para crianças. O ensino da filosofia na escola secundária
logo degenera em pura troca de opiniões, quando não em doutrinação
ideológica rasteira.
A filosofia em geral, como demonstrou brilhantemente
Eric Voegelin, é ela própria um dos tipos de experiência da ordem
existencial que se sucedem no decorrer da História; e esse tipo é
definido, precisamente, pela busca da ordem interior da alma como medida
de aferição da ordem ou desordem na sociedade e na cultura. Ora, a
ordem da alma supõe algum tipo de experiência da ordem cósmica ou
divina que a precede e articula. Traduzida nos termos práticos mais
imediatamente acessíveis à experiência individual, a ordem divina
aparece como um sentido da vida, na acepção que Victor Frankl
dava ao termo. O sentido da vida, por sua vez, aparece sob a forma concreta
de um dever, de uma missão a cumprir. A luta pelo cumprimento do dever
instala na alma uma hierarquia de prioridades que se torna, de um lado,
a matriz criadora da personalidade adulta e, de outro lado, o órgão
sensitivo com que essa personalidade apreenderá e julgará a ordem
ou a desordem na sociedade. Eis o motivo pelo qual Aristóteles acreditava
que só o spoudaios, "homem maduro", o ser humano adulto
de personalidade bem desenvolvida, está capacitado para a participação
frutífera na vida política, seja na condição de governante, seja
na de cidadão – ou mais ainda na de filósofo."
Olavo de Carvalho