Os Cem
Melhores Livros para uma Educação
Will Durant
Se eu fosse um homem de dinheiro havia de ter
muitos livros e regalar-me com encadernações macias ao tato e agradáveis à
vista, obras impressas em bons papéis opacos, naqueles caracteres dos
primitivos impressores. Vestiria meus ... [livros] de couro e ouro... Havia de
ter minha biblioteca bem espaçosa, bem sombria e fresa, liberta da curiosidade
alheia e do barulho, com voluptuosas poltronas das que convidam ao sonho, com
lâmpadas de luz discreta aqui e ali — lâmpadas de santuários; e cada palmo das
paredes seria recoberto com camadas da herança mental da nossa raça. E lá, a
qualquer momento, minha mão e meu espírito dar-se-iam aos amigos de alma
faminta e mãos limpas.
No centro de tal santuário de livros eu
reuniria os Cem Melhores de toda a literatura educativa do mundo. Figuro
a mim mesmo uma pesada mesa de cedro, entalhada pelos mestres que enriqueceram
a abadia de Westminster. No meio da mesa eu ergueria uma estante com os meus Cem
Melhores. E vejo meus amigos confortavelmente sentados ali por algumas
horas todas as semanas, manuseando com volúpia aquelas obras.
Queria também ... sentar-vos a essa mesa?
Talvez sejais um diplomado, e em condições, portanto, de dar início à vossa educação. Talvez nunca tenhais tido ensejo de cursar uma universidade e tereis perguntado o que os nossos filhos lá aprendem, além da moral do dia. Muita coisa bela podem aprender, se as cursam depois de certa idade; mas nesta era de complexidades, nossos rebentos demoram tanto a crescer, que estão sempre muito verdes quando fazem o curso — muito verdes para absorverem e compreenderem os tesouros que lhes são oferecidos. Se fizestes o vosso curso na vida e não nos colégios, muito bem; a rude tutela da realidade amadureceu-vos para a pronta compreensão dos grandes homens. Aqui em redor da espaçosa mesa podereis preparar-vos para a Internacional do Espírito; tereis amigos como Platão e Leonardo, Bacon e Montaigne, e em conseqüência desta boa companhia ficareis preparados para acompanhar os mais finos líderes do vosso tempo e vossa terra.
Talvez sejais um diplomado, e em condições, portanto, de dar início à vossa educação. Talvez nunca tenhais tido ensejo de cursar uma universidade e tereis perguntado o que os nossos filhos lá aprendem, além da moral do dia. Muita coisa bela podem aprender, se as cursam depois de certa idade; mas nesta era de complexidades, nossos rebentos demoram tanto a crescer, que estão sempre muito verdes quando fazem o curso — muito verdes para absorverem e compreenderem os tesouros que lhes são oferecidos. Se fizestes o vosso curso na vida e não nos colégios, muito bem; a rude tutela da realidade amadureceu-vos para a pronta compreensão dos grandes homens. Aqui em redor da espaçosa mesa podereis preparar-vos para a Internacional do Espírito; tereis amigos como Platão e Leonardo, Bacon e Montaigne, e em conseqüência desta boa companhia ficareis preparados para acompanhar os mais finos líderes do vosso tempo e vossa terra.
Podereis dispor de uma hora por dia? Dai-me
sete horas de cada uma de vossas semanas e eu farei de vós um filósofo ou um
erudito: em quatro anos estareis tão bem educado como qualquer Doutor em
filosofia deste País.
Temos preliminarmente que nos entender: não
podeis esperar nenhum lucro monetário desta intimidade com os grandes homens. O
lucro poderá vir mais tarde, acidentalmente, em conseqüência da maturidade e
fundo que alcançareis; mas estes dividendos, como o das companhias de seguros,
são garantidos. Na realidade estareis «perdendo o tempo» da vossa profissão ou
do vosso negócio; se sonhais com milhões, afastai-vos deste mapa da Cidade de
Deus e fincai o vosso nariz na terra. E encontrareis embaraços pelo caminho: um
livro obscuro ou com excesso de páginas, e todas as vossas forças terão que ser
mobilizadas para vencer a tarefa. Lembrai-vos de que não estou compondo uma
lista dos absolutamente melhores cem livros, ou mera lista de obras-primas nas
belas letras; nossa escolha se fez com base na força educativa das obras.
Desde que o meu intento foi conseguir cérebros bem ordenados e evitar o caos das
leituras, temos de começar do começo — com as distantes estrelas e a
antiga terra; e estes começos serão o mais penoso da tarefa proposta. Initium
dimidium facit, disseram os romanos; o início é metade da façanha.
Apertemos o nosso cinto e apuremos a nossa coragem para a subida destes morros
do começo — o resto da viagem será por caminhos planos, com boas inquisições de
sabedoria a cada marco da quilometragem e agradáveis visões de beleza a todo
instante. Nossa mira aqui não é apenas entretenimento, sim educação; mas
educação com tal ordem que cada novo conhecimento adquirido se entrose
logicamente em nossa memória e nos dê no fim aquela amplitude de perspectivas
que é a fonte e o vértice da compreensão.
Por esse motivo as primeiras obras da nossa
escolha — a introdução para o resto têm que ser as mais aterrorizantes de
todas. Começaremos com The Outline of Science;
ai de nós! Teremos de nos nutrir com alimentos pré-digeridos, à moda dum almoço
americano? E o pior é que The Outline of History,
esse fantasma dos historiadores que se prezam, está em quinto lugar na nossa
lista, coisa imperdoável. O crítico mostrará o quanto esses livros valerão como
substitutos do melhor e o quanto valerão como preparo para o melhor. À custa
dum pouco de esforço desagradável temos de nos familiarizar com a descrição
científica do mundo em que o homem desenvolveu; temos de adquirir uma pequena
base astronômica e biológica para corretivo do nosso orgulho de homens; temos
de conhecer as últimas hipóteses sobre elétrons e cromossomos, e olharmos para
a frente enquanto a física e a química transformam o mundo.
E então passaremos para nós mesmos, embora
ainda introdutoriamente. Estudaremos a arte da saúde; porque, de que valerá se
no fim dos quatro anos estivermos eruditos mas dispépticos, filósofos na
imaginação mas arruinados no corpo? Deixemos que dois grandes médicos nos
apresentem as teorias riveis do como viver: o Dr. Clendoning nos dirá, com
agudeza escandalosa num cientista, que muitas das coisas que comemos, bebemos
ou fazemos são boas, e com muito encanto o Dr. Kellog nos provará que são más.
Eu creio que usualmente o Dr. Kellog está certo, mas é admissível que
usualmente eu e ele estejamos errados.
As criaturas humanas possuem corpo e
espírito; por isso convém que procurem de algum modo compreender-se antes de
entregar-se ao estudo da história da espécie. Encaminhemo-nos, pois, para
William James; é verdade que ele escreveu há já mais de uma geração, mas os
seus Princípios de Psicologia continuam
sendo a obra-prima nesta ordem de estudos. Temos de evitar a edição abreviada
em um volume; a anterior, mais ampla, é de mais fácil compreensão. Enquanto
estiverdes mergulhados em James, convém não vos preocupardes com passageiras modas
psicológicas, tais como psicanálise e behaviorismo; depois de bem captado o
pensamento de James, estareis imunes a essas epidemias. Lede ativamente, não
passivamente: meditai a cada passo sobre o acordo entre o que diz James e o que
diz a vossa experiência pessoal — e meditai também sobre a aplicação desses
conhecimentos à conduta de vossa vida. Se discordais do autor, ou vos sentis
chocados pelas suas heresias, lede-o do mesmo modo; a tolerância para com as
opiniões diferentes é o distintivo de um gentleman. Anotai todas as
passagens que possam servir de fundamento à reconstrução do vosso caráter (não
do caráter humano em geral) ou para auxiliar-vos na consecução dos vossos fins;
e classificai essas notas de modo que possam ser consultadas a qualquer
momento.
Não tenhais pressa em sair desses livros
introdutórios, porque sereis forçados a um longo assédio antes que possais
tomar as trincheiras exteriores da cidadela da sabedoria. Se eles vos
sobrecarregam a digestão, temperai-os com os acepipes mais agradáveis da lista:
Plutarco, por exemplo, ou Omar, ou George Moore, ou Rabelais, ou Poe; na
realidade muitos dos livros dos Grupos X e XI servirão de hors d’oeuvres,
ou de alívio, quando os demais vos oprimem com seu excessivo peso.
O próprio Wells vos parecerá esmagador no
começo; cansam-nos os seus répteis e peixes, os seus homens de Cro-Magnon e de
Neandertal. Mas temos de galgar essas grimpas geológicas, e vadear esses
pântanos de reminiscências antropológicas; iremos aguçando os nossos dentes
nessas palavras proibidas e vencendo as dificuldades passo a passo; isso nos
enrijecerá para o resto. E se somos tão abastados quanto corajosos, poderemos
adquirir um dicionário maneiro, como o Webster (Colegiate), evitando os
grandes, cuja massa imensa nos desanima; e também enfeitaremos parede com algum alentado mapa-mundi, de modo
que as novas palavras e os velhos lugares adquiram significação. Depois de
findas as lições de Wells, o Folk Ways de
Sumner vos valerá por apetitosa sobremesa;ninguém jamais sonhou que esse homem
pudesse tornar a sociologia tão fascinante!
Quereis saber como a religião começou, e
como da superstição nasceu a filosofia? Lede o Golden Bough, de Frazer;
neste livro o grande sábio reúne em um tomo as investigações de sua vida
inteira — façanha pela qual o governo britânico o condecorou. Pulai pelo livro,
se quiserdes; aprendei a arte de extrair de cada parágrafo a sentença tópica
em que o autor formula a proposição que o resto do parágrafo trata de provar; e
se a tese escapa ao vosso interesse, pulai para o tópico seguinte, ou para
outro e outro, até que a matéria vos empolgue. Terminado o estudo deste livro,
a parte mais dura da vossa educação estará concluída; o resto não passa de uma
aventura...
Por que motivo a nossa lista se dispõe, daí por
diante, em ordem histórica? Primeiro, porque o sábio é estudar a história como
foi vivida, com a fusão de todas as atividades humanas — econômicas, sociais,
políticas, científicas, filosóficas, religiosas, literárias e artísticas; assim
fazendo, iremos ver cada obra literária, filosófica ou artística em seu justo
lugar, e melhor lhes compreendermos a origem e significação; não esquecer que a perspectiva é tudo. Segundo, porque
esta disposição alterará as mais deleitosas obras-primas com os tomos mais
pesadamente instrutivos; uma coisa ajudará a digestão de outra. Assim, depois
de mais algum Wells e do perfeito capítulo de Breasted sobre o Egito, na
excelente história da Europa denominada A Aventura
Humana, encontraremos bem merecida diversão na coletânea de Brian
Brown sobre a sabedoria de Confúcio, Lat-Tse e Mêncio; e a inigualável
simplicidade e beleza da Bíblia suavizarão a suculenta História da Ciência do Dr. Williams e os
ditirambos de Faure sobre a arte. E através destes mares bravios alcançaremos
as ilhas da Grécia.
Eis-nos em plena região dos gênios; como
meter tantos gigantes em nossa pequenina lista? Recorramos aos guias: Breasted
e Wells nos mostrarão os maiores monumentos, o professor Bury nos ensinará as
complixidades da política helênica, e Gilbert Murray nos introduzirá nos
domínios da maior literatura do mundo. E depois virão os nossos contatos com os
próprios gênios: Heródoto, o homem das deleitosas narrativas, nem sempre
verdadeiras; Tucídides, o pensador realista de estilo clássico (não esquecer a
famosa Oração Funeral em honra de a Péricles); e Plutarco, o das
biografias que Bury reaviva; e Homero, com o seu cantante carrilhão de heróis e
deuses; e Ésquilo, com a sua vigorosa pintura de Prometeu encadeado mas sempre
rebelde, símbolo do gênio punido pelo bem que faz; e Sófocles, com sua doce
sabedoria ganha através do sofrimento; e Eurípides, o humano, a lamentar
o infortúnio dos próprios inimigos e por fim perdoando até aos deuses.
E agora, o primeiro grande período da
filosofia européia: Diógenes Laércio conta-nos a história de Sócrates, o
mártir; de Platão, o reformador; de Demócrito, o filósofo que ria; de
Aristóteles, o enciclopédico; de Zeno, o estóico; e de Epicuro, o que não foi
epicurista. Platão fala e pinta a sua idéia do Estado perfeito; o eternamente
razoável Aristóteles prega a áurea mediocridade — e casa-se com a mais rica
herdeira da Grécia. William toma esse material e ensina-nos como a ciência
ocupou o lugar da superstição; como Hipócrates se tornou, depois de tantos
séculos de médicos, o Pai da Medicina; e como Arquimedes resolvia
teoremas quando um soldado, simbolizando a eterna oposição entre a arte e a
guerra, o apunhalou mortalmente. Finalmente, Faure nos mostrará Fídias, com a
paciência que é gênio, esculpindo sublimes mármores do Partenon, e Praxíteles
cinzelando a graça perfeita de Afrodite. Quando veremos no mundo outra idade
como essa?
Para compreendermos esses gregos cumpre-nos
adquirir uma educação especial; um grande educador americano está fazendo a
experiência dum curso de dois anos a um cento de felizes estudantes, sobre a
civilização grega sob todos os seus aspectos. Já os romanos não nos oferecem
tanta coisa; porque embora lançassem dum modo admirável os fundamentos da ordem
social e da continuidade política para todas as nações da Europa, imiscuíram-se
em excesso na fatura de leis, e em guerras, e na construção de estradas e
esgotos, e na defesa contra os bárbaros, para se permitirem a cultura das
flores da filosofia e da arte. Mesmo assim encontraremos deuses em Roma: o
maior estadista que jamais existiu, apresentado pela arte e por Plutarco; o
sombrio Lucrécio a expor em viril poesia a inapreensível natureza das coisas; a
delicada felicidade de Virgílio a tecer em trama de ouro o passado lendário dos
romanos; e por fim o último grande homem, Marco Aurélio, a meditar, de cima do
trono, sobre a vaidade da ambição e do poder.
Que tremenda e trágica história! O colosso
derramou pelo mundo a sua majestade e por fim, pela corrupção e escravidão,
apodreceu lentamente até que os bárbaros de fora e os cultos orientais de
dentro o ruíssem em escombros. Foi neste ponto que o maior dos historiadores,
Edward Gibbon, começou a sua imponente narrativa do Declínio
e Queda do Império Romano — compondo com poderosa voz de órgão
catedralesco a marcha fúnebre da desolação. Percorramos sem pressa esse desfile
de páginas majestosas; a vida não é coisa tão importante que não possamos
consagrar um pedaço da nossa à leitura do homem que soube conciliar a sabedoria
dos comentários com a musicalidade da forma.
Tão generoso se mostra Gibbon que não se
restringe a historia apenas a moribunda Europa, mas também nos revela a
infância da Europa nórdica, que conhecemos como Idade Média. Vemos o surto do
Papado para a realização do maior sonho do catecismo ocidental — a unificação
da Europa; e aqui, a conversão de Constantino e a coroação de Carlos Magno; e
ali, a sangrenta história de como Maomé e seus generais, chefiando exércitos
famintos de pilhagem e bêbados de teologia, derramaram-se sobre a África e a
Espanha, construíram a civilização de Bagdad e Córdova e por fim recuaram para
o deserto, quando os turcos, ainda mais bárbaros que eles, rolaram do Cáucaso
sobre o Ocidente em desordem. Maimônides e Omar nos atestarão como os judeus e
persas prosperaram sob o domínio dos Islã. Em Williams encontraremos um belo
relato das realizações islâmicas na matemática e na medicina, na astronomia e
no setor filosófico; e Faure nos mostrará a sua delicada arquitetura no
Alhambra, em Granada e no Taj Mahal, na Índia.
Mas havia nesse tempo, também. Um pugilo de
cristãos. Robinson nos descreve a sua civilização em A Aventura Humana dum modo tão sugestivo que não podemos
afastá-lo da nossa lista. Dante e Chaucer corporificam a época: os peregrinos
de Canterbury, empenhados numa viagem, divertem-se contando histórias cruas com
as de Rabelais; e Dante, embora em luta contra a Igreja, ergue a teologia
cristã a um esplendor que por um momento nos faz esquecer o barbarismo que
criou o inferno. Abelardo duvidou dessa teologia, mas repentinemente perdeu a
virilidade necessária para firmá-lo naquela atitude; nada mais doloroso e
humano que o seu abandono de Heloísa e da dúvida. Se quereis verificar a que
grau de perfeição pôde a prosa inglesa atingir, lede George Moore na sua
narração do imortal amor de Heloísa e Abelardo. No Monte de S. Miguel e
Chartres, Henry Adams também nos conta esta mesma história, e expõe a
enciclopédica ortodoxia de Tomás de Aquino, como incidentes do seu passeio em
redor das grandes catedrais francesas; nesta obra o gótico é obrigado a falar
inglês e a revelar-se até aos americanos. Temos depois a ainda não devidamente
apreciada História da Literatura Inglesa de Taine, um livro de tão
sólido valor e de tanta beleza como o de Gibbon; nele, um francês explica aos
ingleses a literatura inglesa. E finalmente ouviremos a masculamente
melancólica música da Idade Média nos majestosos cantos gregorianos; Cecil Gray
não é nisto o guia perfeito, mas é incisivo; e os que aceitam a música como a
mais alta das filosofias, terão de afastar-se neste ponto da nossa lista e ler
o quarto, quinto e sexto volumes da História da Música de Oxford. Vida
sem música é um equívoco, disse Nietzsche.
Mas a Idade Média desaparece e subitamente
defronta-nos o Renascimento italiano. Wells dá-nos aqui umas poucas páginas
insuficientes e nos remete aos sete alentados volumes de J. A. Symonds, que
consumiram até ao último alento a sua vida de doente. (Se vos escasseia tempo
para esta longa digressão, lede O Renascimento na
Itália, de Burchchrdt.) Aqui novamente assistimos ao enxamear de
gênios: em Florença penetramos no palácio dos Médicis, onde Pico de Mirandola
acende velas diante do busto de Platão recém-descoberto, e um rapaz de nome Miguel Ângelo esculpe a figura dum fauno desdentado;
em Roma pisamos o pavimento de mármore do Vaticano acompanhados de Júlio e Leão
X, e vemo-los transformando a riqueza em poesia e arte. Vasari nos mostra o
atelier de Boticcelli, de Brunelleschi, de Leonardo, de Rafael e de Ângelo;
Faure põe em rapsódias esta florescência única de pintura, estatuária e
ornamento; César Borgia posa diante de Machiavel para o retrato do príncipe
ideal; Cellini de vez em quando abandona a adaga assassina para esculpir um
vaso maravilhoso; Bruno e Vanini renovam os esforços do homem para compreender
o mundo do ponto de vista da razão; Copérnico, Vesalius e Gilbert lançam as
pedras fundamentais da ciência moderna; e nas asas da sua música Palestrina nos
leva ao céu. A era é suprema.
Mas, saído das severas frialdades do norte,
Lutero não se deleita com a licenciosa arte da Itália cheia de luz; e com voz
ouvida pelo mundo inteiro apelou para o retorno à antiga simplicidade ascética
da Igreja. Os príncipes da Alemanha, utilizando-se da revolta luterana como
instrumento político, destacaram seus reinos do Papado, estabeleceram uma série
de países independentes e inauguraram o nacionalismo dinástico, que é o
arcabouço da história européia desde a Reforma até a Revolução. A consciência
nacional se substitui à consciência religiosa, o patriotismo ocupa o lugar da
piedade, e cada povo europeu inicia um século de Renascimento próprio. É a
idade da política romântica: Catarina de Médicis e Henrique VIII, Carlos V e o
Filipe da Invencível Armada, Isabel e Essex, Maria Stuart com os seus amantes e
Ivã, o Terrível. É a época dos gigantes da literatura: na França, Rabelais
gargalha a todos os mandamentos e adjetivos, e Montaigne discute negócios,
públicos ou não, nos mais profundos ensaios jamais escritos; na Espanha,
Cervantes encontra forças para escrever o mais famoso dos romances, e Lope de
Veja compõe 1800 peças; em Londres, o filho dum açougueiro produz os maiores
dramas modernos, e toda a Inglaterra, como diria Splenger, está em forma.
Esse tempo foi a primavera da alma moderna.
Os sábios estão afeitos a proclamar que
depois desta brilhante emancipação da Espanha, da Inglaterra e da França, a
Europa sofreu um recuo e desceu do alto nível a que o Renascimento a levara.
Num certo sentido é verdade: o século XVII foi uma era de conflito religioso, a
idade da Guerra dos Trinta Anos, arruinadora da Alemanha, e da Revolução
Puritana, por um século garroteadora da exuberância poética e artística dos
ingleses. Mas ainda assim, que século! É o tempo dos Três Mosqueteiros:
Richelieu e Mazarino fortalecem o governo central da França contra os barões
feudais, e presenteiam Luís XIV com um Estado poderoso e uno — meio de
proporcionar ensejo à floração da cultura dirigida por Voltaire. La
Rochefoucauld dá forma ao cinismo da corte e do teatro; Molière mete a riso a
hipocrisia e presunção do seu povo, e Pascal mistura, com apaixonada retórica,
a matemática e a piedade. Bacon e Milton elevam a prosa inglesa a grande altura
— e este último ainda compõe versos bem toleráveis. É uma era de poderosos
sistemas filosóficos; Bacon, Hobbes e Locke, na Inglaterra, Descartes, Spinoza
e Leibniz, no continente. Na ciência emerge Galileu, o astrônomo, Sir William
Harvey, o fisiologista, Robert Boyle, o químico, Isaac Newton, o tudo. A
pintura é um chuveiro de estrelas: na Holanda, Rembrandt e Franz Hals; na
Flandres, Rubens e Van Dyck; na França, Poussin e Claude Lorrain; na Espanha,
El Greco e Velásquez. E para a música veio Bach.
João Sebastião Bach é um
olímpico próximo de Zeus; não descansareis, pois enquanto não ouvirdes o
majestoso ritmo de sua Missa em Si menor e a Paixão segundo Mateus.
Com o velho organista de Arnstad, que tinha tempo de alternar a composição de
obras-primas com a fatura de vinte filhos, a música atinge um dos seus picos
culminantes: só o louco Beethoven pairou tão alto. O século XVIII está cheio de
opulentas melodias: Haendel compõe oratórios e Haydn desenvolve a sonata e a
sinfonia, Gluck cria um nobre acompanhamento para o sacrifício de Efigênia, e
da sua tristeza Mozart arranca sonoridades que fazem todas as composições
anteriores parecerem discordantes e caóticas. Se quereis conhecer a música
absoluta, fechai por um momento o vosso rádio e tocai na vitrola o Andante
do Quarteto em Ré maior de Mozart.
Mas aqui estamos no século XVIII, que Clive
Bell, na sua preciosa obra sobre a Civilização, põe ao lado do século de
Péricles e do Renascimento como uma das três épocas supremas da história da
cultura. Era de lutas bárbaras, de avanços na ciência, e de filosofia
libertada; de exploração pelos barões, de maneiras e modas tão belas que fazem
as nossas calças de canudos e as saias aprisionadas das pernas femininas
parecerem coisa fúnebre ou de penitenciária. “Os que não conheceram o mundo
anterior a 1789 não sabem o que é a felicidade de viver”, disse Talleyrand,
“aquela lama em meias de seda”, como chamou Napoleão. Leia-se nos Retratos
de Sainte-Beuve a vida dourada daqueles homens; vejam-se os quadros de Watteau
e Fragonard, de Gainsborough e Reynolds; e depois tome-se uma poltrona de
primeira fila em Taine e Carlyle para assistir ao drama do desmoronamento.
Pense-se numa idade que podia produzir historiadores como Gibbon e Voltaire,
filósofos como Hume e Kant, espíritos empreendedores como os obreiros da Enciclopédia,
biógrafos como Boswell, homens como Jonson, Goldsmith, Gibbon, Burke, Barick e
Reynolds; novelistas como Fielding e Sterne, jamais sobreexcedidos na
Inglaterra; economistas como Adam Smith, cínicos como Swift, mulheres como Mary
Wollstonecraft!
E a Revolução vem e a aristocracia perece na
guilhotina; arte e boas maneiras desaparecem, a verdade substitui a beleza, e a
ciência refaz o mundo. Deixemos que Robinson nos conte da Revolução Industrial
que tão rápida e profundamente transformou nossa vida, nossos governos, nossa
moral, nossas religiões e filosofias; estamos diante dum dos pivôs sobre quem a
história regira. Assim como o século XVIII foi a idade da mecânica e da física
teóricas, dando origem ao triunfo da ação, assim o século XIX foi a idade da
biologia teórica, dando origem ao triunfo ativo das ciências biológicas. Novos
conceitos da natureza e do desenvolvimento do homem dominam o palco científico
e precipitam a guerra entre as crenças que sombreou o espírito ocidental. Foi
um século pobre em escultura, a despeito de Rodin, e cheio de duvidosas
experiências na pintura, desde os crepúsculos de Turner até às chuvas de
Whistler; mas na música sobreexcedeu a todas as outras épocas da história (e
quem o esperaria numa era de máquinas?).
Aqui temos Beethoven, passando, no fim do
século, da simplicidade de Mozart, revelada em suas primeiras obras, da
perfeição da Quinta Sinfonia e da sutil delicadeza da Sonata de Kreutzer, à
louca exuberância das últimas sonatas, da Sinfonia Coral; aqui temos Schumann,
infinito de melodia, deixando em sua água-furtada centenas de obras-primas
inéditas; aqui temos Brahms, com seu aspecto de açougueiro, a compor como um
anjo, a tecer harmonias mais profundas que as de Schumann, e, mão obstante, tão
leal à memória do mestre que, amando com furor a sua viúva, protegeu-a durante
quarenta anos sem coragem de pedir-lhe a mão. Que dinastia de sofredores — do
moribundo Beethoven, sacudindo os punhos contra o fado, de Schubert bêbedo, de
Schumann louco e de Chopin roído pela tuberculose e abandonado por George Sand,
até Ricardo Wagner, o gênio charlatão que suportou indignidades durante meio
século e depois fez os príncipes da Alemanha pagarem as contas de Bayreuth!
Mais feliz foi Mendelsson, temperamento muito bondoso e simples para sofrer em
excesso; e Liszt, que na taça da fama bebeu até à derradeira gota, passando uma
vida ébria de glória; e Rossini, que preferia preparar um spaghetti a compor o Barbeiro
de Sevilha; e o genial Verdi, pondo um realejo em cada teatro europeu. Mas
quando entramos na Rússia, é a melancolia que ressoa novamente; o alquebrado
Moussorgsky canta a morte, e Tschaikovsky, de coração espedaçado por uma Vênus
do palco, põe termo à vida com um veneno (podemos estar seguros disto, visto
como todos os historiadores respeitáveis o negam).
Aparentemente a beleza nasceu no sofrimento
e a sabedoria é filha da mágoa. Os filósofos do século XIX eram quase tão
infelizes como os compositores; começam como Schopenhauer, o autor da
enciclopédia da miséria humana, e terminam com Nietzsche, que amou a vida pelo
que nela havia de trágico, mas enlouqueceu à idéia de viver novamente. Que
doloroso quadro o da invalidez de Buckle, sem um momento de saúde, morto aos
quarenta e dois anos sem completar a introdução à História da Civilização na
Inglaterra! O único homem sadio em toda a lista dos gênios do século XVIII
foi Goethe, que se distinguiu de Shelley pelo fato de ter vivido bastante. Lede
as Conversações com Goethe de Eckermann e tereis uma semana a companhia
dum espírito maduro. Lede a parte primeira do Fausto, mas não permiti
que nenhum crítico de nome — nem mesmo o grande Brandes — vos induza a ler o
resto — amontoado de caduquices de Edward Lear. Cérebro companheiro do de
Goethe temos o do Corso, possante instrumento da imaginação, da energia e da
vontade; deixai que Ludwig vos conte a sua história e depois lede as noventa
fulgurantes páginas em que Taine lhe analisa o gênio nas Origens da França
Contemporânea.
Absorvei todas as palavras de Taine no
capítulo sobre Byron, e lede depois a Peregrinação de Childe Harold, Cain
e dois ou três cantos do Don Juan. Não vos esqueçais das Odes de
Keats, pois são os mais belos poemas da língua inglesa. Verlaine e Musset
escapam à nossa lista, já que tradução nenhuma pode captar-lhes a caprichosa
melodia; e Heine é incluído a despeito da dificuldade de transpormos duma
língua para outra a agudeza e a música dos seus versos. Tennyson entra com In
Memorian e os Idílios do Rei — mas se eu tivesse coragem em seu
lugar seria ocupado por Thomas Malory, cuja Morte de Artur é um
majestoso monumento da prosa inglesa. De Balzac podereis ler muito; em toda a
sua obra a vida fulgura intensa. Aos Miseráveis lereis salteadamente,
mas nenhuma palavras perdereis de Salammbô e da Madame Bovary, de
Flaubert. Podereis depois repastar-vos nos primores de Anatole France, que
constituem a destilada essência da cultura e arte francesas; na nossa lista só
incluímos a Ilha dos Pingüins, mas se tendes a gulodice da beleza e das
sutilezas de linguagem, lereis vinte volumes de Anatole. Pickwick Papers
e Feira das Vaidades (ou David Copperfield e Henry Esmond)
deverão ser manuseados vagarosamente, com esquecimento da nossa malsinação do
período vitoriano; antes da nossa época igualá-lo na literatura, não poderá
apedrejá-lo. Da Inglaterra passareis à Escandinávia e Lereis Peer Gynt,
o maior poema depois do Fausto. Saltareis à Rússia para conhecer a perfeição de
Turgeniev, para errar sem pressa através da cordilheira de montanhas que é Guerra
e Paz (1700 páginas apenas) e finalmente para render-vos a Dostoievski, o
maior de todos os romancistas. Em sua obra tudo tem valor, mas se quereis
mergulhar a fundo na alma humana não lereis apenas os Irmãos Karamazov,
sim também Crime e Castigo, O Idiota, O
Processo. Depois disso, volta a América.
Desdenharia o nosso rol algum dos heróis
americanos? Tenhamos em vista a mocidade da América; só muito recentemente
passamos do pioneirismo ao comercialismo e hoje estamos começando a entrar na
arte; Whitman ainda é o nosso único gigante. Thoreau equivale a uma estação na
vida plena — voz dessa febre de Retorno à Natureza que arde no sangue dos moços
inquietos com um civilizamento muito rápido. Emerson me parece um tanto magro,
hoje; há nele quase tão pouca substância como em Thoreau, mas os estudiosos de
estilo devem dar-lhe uma semana. Edgard Poe também está subcotado — esse homem
fantástico e melodioso, tramador de contos terríveis tão do agrado do nosso
gosto pelo mistério e do nosso deleite pelas torturas imaginárias; gostamos de
sofrer por procuração. Quando classificamos Poe de grande artista, apenas
queremos dizer que sua biografia é interessante e seus sofrimentos nos atraem.
É sempre mais fácil amar ao fraco do que ao forte; este não necessita do nosso
amor — e instintivamente procuramos defeitos em sua irritante perfeição; cada
estátua é um desafio.
E desse modo chegaremos aos século XX, a era
da eletricidade e do Gotterdammerung, a era da Grande Loucura e da Paz
Louca, a era das mudanças intelectuais e morais mais rápidas da história.
Deixai que Henry Adams vos revele o segredo do nosso tempo — a filosofia
mecanística que constitui a base do nosso pessimismo não é a forçada conclusão
da biologia; apesar de tudo, talvez os homens não sejam máquinas. Havelock
Ellis, o maior estudioso moderno, parece-nos algo mais do que máquina; e quando
lemos o Jean Christophe, o grande romance do século, apreendemos a
sentir do artista em choque com o do cientista — senso de criação em vez do
senso de desamparo. Spengler discorda de nós e admite a morte da civilização; a
razão disto está em nossa paixão pelo poder e a guerra, que ele admira com o ímpeto
dum intelectual que se julga nascido para a ação. Deixemos que Robinson e Wells
(ou o professor Fay) nos revelem as origens da Primeira Guerra Mundial para que
vejamos quão vis são em suas origens essas invejadas glórias, e quão
repugnantes em seus resultados; e façamos que os nossos filhos também os leiam,
para que aprendam como as guerras se fazem e como os homens podem em poucos
anos retraçar quase todos os passos que, da selvageria à civilização, o gênero
humano lentamente galgou em trinta séculos.
Dolorosos livros são estes, mas chegados que
somos ao fim da nossa lista, não nos faltará coragem para abordá-los sem o
recurso à anestesia. E poderemos ainda admitir, a despeito de todo o nosso
conhecimento, que a raça produtora dum Platão e dum Leonardo adquirirá um dia o
bom senso necessário para controlar a onda demográfica, conservar os mares
abertos a todos os povos, e todos os mercados francos ao capital e ao comércio;
e assim, por meio de alguma organização internacional, suprimiremos a guerra. Coisas
mais estranhas já se deram no decurso da história; quarenta vezes mais
maravilhoso foi o incrível desenvolvimento do homem... Estamos apenas
começando.
Eis a nossa Odisséia de livros. É todo um
mundo, contendo a excelência bem ponderada de cem gerações; mundo não tão belo
e vivo como o da realidade — como a natureza e o homem, mas abundante de
insuspeitada sabedoria e de inexplorada beleza. A vida vale mais que a
literatura, a amizade suplanta a filosofia, e as crianças nos tocam a alma com
música mais profunda que a de todas as sinfonias; mas ainda assim estes
deleites vivos desmerecem o prazer secundário que em tais obras encontraremos.
Quando a vida se torna amarga, ou os amigos fogem, ou nossos filhos nos
abandonam a casa para a fundação de outro lar, resta-nos o consolo de
sentar-nos a esta mesa com Shakespeare e Goethe, e rir-nos do mundo com
Rabelais, e de contemplar a sua beleza de outono com Keats. Porque estes são
amigos que nos dão unicamente o melhor, que nunca nos refogem e que sempre estão
à nossa espera. Depois de freqüentá-los por algum tempo e de humildemente
ouvi-los falar, curados estaremos de nossas enfermidades e conheceremos a paz
que vem da compreensão.
O Caminho da Libertação
Os Cem
Melhores Livros para uma Educação
Grupo I — Introdutório
2. Logan Clendening, The
Human Body (O Corpo Humano).
3. J. H.
Kellog, The Dietetics (A Nova Dietética) pp. 1-531, 975-1011.
4. William
James, Principles of Psychology (Princípios de Psicologia), 2 v.
5. H. G. Wells, The
Outline of History (História Universal), (1) caps. 1-14.
6. W. G. Sumner, Folk
Ways (Criações Populares).
7. Frazer, The Golden
Bough.
Grupo II — Ásia e África
8. Breasted e Robinson, The
Human Adventure (A Humana Aventura), 2 v., Vol. I, caps. 2-7.
5. H. G. Wells, The
Outline of History (História Universal), caps. 15-21, 26.
9. Brian Brown, The
Wisdom of China (A Sabedoria da China).
10. A Bíblia:
Gênesis, Êxodo, Rute, Ester, Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cânticos de
Salomão, Isaías, Amós, Os Evagelhos, Atos dos Apóstolos, Epístolas de São
Paulo.
11. Elie
Faure, História da Arte, 4 v., Vol. I, caps. 1-3; vol. II, caps.
1-3.
12. H. S.
Williams, História da Ciência, 5 v., Vol. I, caps. 2-4.
Grupo III — Grécia
8. Breasted e Robinson, The
Human Adventure (A Humana Aventura), 2 v., Vol. I, caps. 8-9.
5. H. G. Wells, The
Outline of History (História Universal), (1) caps. 22-25.
13. J. B.
Bury, História da Grécia, 2 v.
14. Heródoto,
Histórias.
15. Tucídides,
A Guerra do Peloponeso.
16. Plutarco,
Vida dos Homens Ilustres.
17. Gilbert
Murray, Literatura Grega.
18. Homero,
Ilíada.
19. Homero,
Odisséia.
20. Ésquilo,
Prometeu Encadeado.
21. Sófocles,
Édipo e Antígona.
22. Eurípides,
tudo (trad. Gilbert Murray).
23. Diógenes
Laércio, Vidas dos Filósofos.
24. Platão,
Diálogos, Apologia de Sócrates, Fedo, A República.
25. Aristóteles,
Ética.
26. Aristóteles,
Plítica.
12. H. S.
Williams, História da Ciência, 5 v., Vol. I, caps. 5-9.
11. Elie
Faure, História da Arte, 4 v., Vol. I, caps. 4-7.
Grupo IV — Roma
8. Breasted e Robinson, The
Human Adventure (A Humana Aventura), 2 v., Vol. I, caps. 27-30.
5. H. G. Wells, The
Outline of History (História Universal), caps. 27-29.
16. Plutarco,
vidas de Catão, Tibério e Caio, Mário, Sila, Pompeu, Cícero, César, Bruto,
Antônio.
27. Lucrécio,
De Rerum Natura (A Natureza das Coisas). Algumas passagens são
admiravelmente parafraseadas na obra de W. H. Mallock, Lucretius pm Life and
Death.
28. Virgílio,
Eneida.
29. Marco
Aurélio, Meditações.
12. H. S.
Williams, História da Ciência, 5 v., Vol. I, caps. 10-11.
11. Elie
Faure, História da Arte, 4 v., Vol. I, caps. 8.
30. Gibbon,
Declínio e Queda do Império Romano.
Grupo V — Cristianismo
8. Breasted e Robinson, The
Human Adventure (A Humana Aventura), 2 v., Vol. II, caps. 1-11.
5. H. G. Wells, The Outline
of History (História Universal), caps. 30-34.
31. Omar
Khayyam, Rubayat.
32. Geo Moore,
Heloísa e Abelardo.
33. Dante,
Divina Comédia.
34. Taine,
História da Literatura Inglesa.
35. Chaucer, Canterbury
Tales.
36. H. Adams,
Monte de S. Miguel e Chartres.
12. H. S.
Williams, História da Ciência, 5 v., Vol. II, caps. 1-3
37. G. Gray,
História da Música.
Grupo VI — Renascimento
Italiano
5. H. G.
Wells, The Outline of History (História Universal), caps. 35.
38. Symonds,
O Renascimento na Itália.
39 B. Cellini, Autobiografia.
40. Vasari,
Vida dos Pintores e Escultores.
41. H.
Hoffding, História da Filosofia Moderna.
42. Machiavelli,
O Príncipe.
37. G. Gray,
História da Música, caps, 6-8.
Grupo VII — Europa
do Século XVI
8. Breasted e Robinson, The
Human Adventure (A Humana Aventura), 2 v., Vol. II, caps. 13 e 14.
43. P. Smith,
A Era da Reforma.
44. Faguet,
A Literatura da França.
45. Rabelais,
Gargântua e Pantagruel.
46. Montaigne,
Ensaios.
47. Cervantes,
Dom Quixote.
48; Shakespeare,
peças.
34. Taine,
História da Literatura Inglesa, liv. II, caps. 1-4.
37. G. Gray,
História da Música, liv. II caps, 4-7.
11. Elie
Faure, História da Arte, 4 v., Vol. III, caps. 4-6.
12. H. S.
Williams, História da Ciência, 5 v., Vol. II, caps. 4-8.
Grupo VIII — Europa
do Século XVII
8. Breasted e Robinson, The
Human Adventure (A Humana Aventura), 2 v., Vol. II, caps. 15
44. Faguet,
A Literatura da França, parte relativa ao século XVII.
49. La Rochefoucauld,
Reflexões.
50. Molière,
peças.
51. F. Bacon,
Ensaios.
52. Milton,
Lycidas, L’Allegro, Il Penseroso, Sonetos, Aeropagítica e parte do Paraíso
Perdido.
12. H. S.
Williams, História da Ciência, 5 v., Vol. II, caps. 9-13.
41. H.
Hoffding, História da Filosofia Moderna, parte relativa a Bacon,
Descartes, Hobbes, Locke, Spinoza e Leibniz.
53. Hobbes,
Leviathan.
54. Spinoza,
Ética e Melhoramento da Compreensão (De Intellectu Emendatione)
11. Elie
Faure, História da Arte, 4 v., Vol. IV, caps. 1-4.
37. G. Gray,
História da Música, caps, 9-10.
Grupo IX — Europa
do Século XVIII
8. Breasted e Robinson, The
Human Adventure (A Humana Aventura), 2 v., Vol. II, caps. 16-21.
5. H. G. Wells, The
Outline of History (História Universal), caps. 26-7.
55. Sainte-Beuve,
Retratos do século XVIII.
56. Voltaire,
obras.
57. Rousseau,
Confissões.
58. Taine,
Origens da França Contemporânea, vols. I-IV.
59. Carlyle,
A Revolução Francesa.
34. Taine,
História da Literatura Inglesa, liv. III, caps. 4-7.
60. Boswell,
Vida de Samuel Johnson.
61. Fielding, Tom Jones.
62. Sterne, Tristam
Shanay.
63. Swift,
Viagens de Gulliver.
64. Hume.
Tratado sobre a Natureza Humana.
65. Mary
Wollstonecraft, Reivindicação dos Direitos da Mulher.
66. Adam
Smith, A Riqueza das Nações.
12. H. S.
Williams, História da Ciência, 5 v., Vol. II, caps. 14-15.
41. H.
Hoffding, História da Filosofia Moderna, parte relativa ao século
XVIII.
11. Elie
Faure, História da Arte, 4 v., Vol. IV, caps. 5-6.
37. G. Gray,
História da Música, caps, 11-12.
Grupo X — Europa
do Século XIX
8. Breasted e Robinson, The
Human Adventure (A Humana Aventura), 2 v., Vol. II, caps. 22-28.
5. H. G. Wells, The
Outline of History (História Universal), caps. 3-9.
58. Taine,
Origens da França Contemporânea, vols. V.
67. E. Ludwig,
Napoleão.
68. G.
Brandes, Principais Correntes da Literatura do século XIX, 6
vols.
69. Goethe,
Fausto.
70. Eckermann,
Conversações com Goethe.
71. Heine,
Poemas.
34. Taine,
História da Literatura Inglesa, liv. IV e V.
72. Keats,
Poemas.
73. Shelley,
Poemas.
44. Faguet,
A Literatura da França, parte relativa ao século XIX.
75. Balzac,
Père Goriot.
76. Flaubert,
obras.
77. V. Hugo,
Os Miseráveis.
78. Anatole
France, Ilha dos Pingüins.
79. Tennyson, Poemas.
80. Dickens, Pickwick
Papers.
81. Thackeray,
Feira das Vaidades.
82. Turgueniev,
Pais e Filhos.
83. Dostoievski,
Irmãos Karamazov.
84. Tolstoi,
Guerra e Paz.
85. Ibsen,
Peer Gynt.
12. H. S.
Williams, História da Ciência, 5 v., Vol. III-IV.
86. Darwin,
A Descendência do Homem.
41. H.
Hoffding, História da Filosofia Moderna, parte relativa ao século
XIX.
87. Buckle,
Introdução à História da Civilização na Inglaterra.
88. Schopenhauer,
obras.
11. Elie
Faure, História da Arte, 4 v., Vol. IV, caps. 7-8.
37. G. Gray,
História da Música, caps, 13-17.
Grupo XI — América
90. C. Beard, The Rise of American Civilization.
91. Poe, poemas e contos.
92. Emerson, Ensaios.
93. Thoreau, Walden.
94. Whitman, Leaves of Grass.
95. Lincln, Cartas e Discursos.
8. Breasted e Robinson, The
Human Adventure (A Humana Aventura), 2 v., Vol. II, caps. 29 e 30.
5. H. G. Wells, The
Outline of History (História Universal), caps. 40-41.
96. R. Rolland, Jean Christophe.
97. H. Ellis, Estudos de Psicologia Sexual.
98. H. Adams, A Educação de Henry Adams.
99. Berson, A Evolução Criadora.
100. Spengler, O Declínio do Ocidente.
Os
livros números 3, 5, 8, 10, 11, 16, 24, 29, 30, 31, 34, 46, 48, 51, 60, 63, 69,
72, 73, 74, 76, 90, 94, 97, 98 e 100, num total de 27 devem ser adquiridos.
Total dos livros enumerados na lista, 151. Tempo necessário para a leitura, 4
anos, à razão de 7 horas por semana ou 10 horas por volume.
Nenhum comentário:
Postar um comentário